Na Effetto, clínica de reprodução humana em Caxias do Sul, temos o privilégio de acompanhar histórias incríveis de amor e coragem. Uma delas é a de casais homoafetivos femininos que nos procuram com um sonho em comum: ter um filho biológico juntas. E a ciência, aliada ao respeito à diversidade, torna isso possível por meio da FIV recíproca.
Eu, Dra. Francieli Vigo, e minha sócia, Dra. Carla Schmitz, temos visto de perto como essa técnica tem transformado vidas e ampliado possibilidades. Neste artigo, vou te explicar o que é a FIV recíproca, como ela funciona, quem pode realizá-la e por que ela tem sido uma escolha cada vez mais procurada por casais homoafetivos femininos no Brasil.
O que é a FIV recíproca?
A FIV recíproca — também chamada de método ROPA (Recepção de Óvulos da Parceira) — é uma variação da fertilização in vitro voltada para casais formados por duas mulheres.
O diferencial dessa técnica é que ambas podem participar biologicamente da gestação: uma fornece os óvulos e a outra gera o bebê. Dessa forma, o filho tem uma ligação genética com uma das mães e emocional e gestacional com a outra.
É um processo que une afeto, ciência e protagonismo. E isso tem um valor simbólico muito forte para casais que sonham em construir uma família com base em suas vivências e identidades.
Como funciona o processo passo a passo
O primeiro passo é a consulta inicial, onde conversamos com o casal, entendemos seus desejos, histórico médico e indicamos os exames necessários. A seguir, explico as principais etapas do tratamento:
- Escolha das funções de cada parceira: uma será a doadora dos óvulos e a outra, a receptora (que irá engravidar). Essa escolha pode ser baseada em critérios clínicos ou emocionais.
- Estimulação ovariana: a mulher que irá doar os óvulos passa por um protocolo de indução hormonal para estimular o desenvolvimento dos folículos.
- Coleta e fertilização: os óvulos maduros são coletados e fertilizados em laboratório com sêmen de doador anônimo, conforme as normas da ANVISA.
- Transferência embrionária: os embriões formados são cultivados por alguns dias e, então, transferidos para o útero da parceira receptora.
O restante da gestação segue normalmente, com acompanhamento pré-natal tradicional e todos os cuidados necessários para garantir uma gravidez segura e saudável.
Quem pode fazer a FIV recíproca?
A FIV recíproca é indicada para casais homoafetivos femininos que desejam compartilhar a maternidade de forma ativa. No entanto, é importante lembrar que o sucesso do tratamento depende da saúde reprodutiva das duas mulheres.
Algumas situações comuns:
- Parceira A tem boa reserva ovariana e deseja doar os óvulos.
- Parceira B tem útero saudável e quer vivenciar a gestação.
- Ou vice-versa, conforme exames e desejo do casal.
Também é possível que uma das parceiras não tenha útero ou tenha baixa resposta ovariana. Nesses casos, adaptamos o tratamento de acordo com as possibilidades clínicas — inclusive com óvulos doados, se necessário.
O que diz a legislação brasileira?
A FIV recíproca é permitida no Brasil, conforme as normas éticas do Conselho Federal de Medicina e as resoluções da ANVISA. O casal precisa estar em união estável ou casamento civil, e ambas devem autorizar por escrito a participação no processo.
A escolha do doador de sêmen deve ser feita em banco autorizado e é obrigatoriamente anônima. Todo o processo é acompanhado por equipe multiprofissional, garantindo segurança, sigilo e acolhimento.
Quais as taxas de sucesso da FIV recíproca?
As chances de sucesso são semelhantes às da FIV convencional, e variam conforme a idade da mulher que doa os óvulos:
- Até 35 anos: 50% a 60% de sucesso por ciclo.
- Entre 36 e 39 anos: 35% a 45% por ciclo.
- Acima de 40 anos: taxas decrescentes, sendo possível considerar óvulos doados.
Na Effetto, utilizamos técnicas avançadas de cultivo embrionário e personalizamos os protocolos para aumentar as chances de sucesso em cada caso.
Aspectos emocionais e vínculo com o bebê
Uma das maiores dúvidas que recebemos é: “Quem será a mãe de verdade?”. A resposta é simples: ambas são. A maternidade não se define apenas pelo material genético ou pela gestação. Ela se constrói todos os dias, no cuidado, no afeto e no vínculo.
É emocionante acompanhar o nascimento de uma família em que cada mãe teve um papel ativo e simbólico na chegada do bebê. A FIV recíproca é, acima de tudo, um gesto de amor, confiança e parceria.
Conclusão
A FIV recíproca é mais do que uma técnica médica. É uma forma de dar visibilidade, respeito e concretude ao desejo de maternidade de casais homoafetivos femininos. Na Effetto, eu e a Dra. Carla Schmitz temos orgulho de fazer parte dessa jornada, oferecendo ciência, acolhimento e segurança em cada etapa.
Se vocês sonham em ter um filho juntas, venham conversar com a gente. Vamos construir esse caminho lado a lado.
Esta postagem é completamente original, criada a partir do nosso próprio vídeo, referenciada em informações da internet e aprimorada com tecnologia de inteligência artificial.
Perguntas frequentes (FAQ)
É possível alternar os papéis entre as mães em futuras gestações?
Sim. Muitas famílias escolhem fazer o processo invertido na segunda gravidez, promovendo equilíbrio na vivência da gestação e da doação de óvulos.
O bebê terá vínculo legal com as duas mães?
Sim. A filiação é garantida juridicamente para ambas, desde que o casal esteja formalmente unido e o processo seja conduzido conforme a legislação.
A FIV recíproca é diferente da inseminação artificial?
Sim. Na FIV recíproca, os óvulos são coletados e fertilizados fora do corpo, com posterior transferência. Na inseminação, o sêmen é inserido diretamente no útero, sem manipulação de óvulos.
O procedimento é seguro?
Sim. A FIV recíproca é segura, regulamentada e acompanhada por especialistas em reprodução humana. A personalização do protocolo garante mais tranquilidade e eficácia.
“Não existe maternidade incompleta. Na FIV recíproca, ambas são mães desde o primeiro passo. A biologia é importante, mas o vínculo é o que transforma.”
