Como saber se preciso de tratamento de fertilidade? Essa pergunta costuma surgir quando a gravidez demora mais do que o esperado, depois de alguns meses de tentativas frustradas ou quando algum exame apresenta uma alteração que gera preocupação. E existe uma diferença importante que precisa ser entendida desde o começo: procurar um especialista em fertilidade não significa que você necessariamente começará um tratamento.
Na reprodução humana, o primeiro passo quase sempre é investigar. Antes de falar em indução de ovulação, inseminação intrauterina ou fertilização in vitro, é necessário entender o que está acontecendo com a fertilidade da mulher, do homem ou do casal.
Algumas pessoas descobrirão que ainda podem continuar tentando naturalmente com orientação adequada. Outras poderão precisar tratar uma condição específica, corrigir um distúrbio hormonal ou acompanhar melhor a ovulação. Em determinados casos, técnicas de reprodução assistida podem oferecer melhores chances de gravidez.
Idade, tempo de tentativa, regularidade dos ciclos, reserva ovariana, condições das tubas, histórico de endometriose, qualidade do sêmen e outras características ajudam a determinar qual caminho faz sentido.
Neste artigo, a Dra. Francieli Vigo explica como saber se você precisa de tratamento de fertilidade, quando é indicado iniciar uma investigação, quais exames costumam fazer parte dessa avaliação e por que nem toda dificuldade para engravidar termina em fertilização in vitro.
Primeiro: investigar fertilidade não significa começar tratamento
Esse é provavelmente o conceito mais importante deste artigo.
Muitas pessoas adiam a consulta porque imaginam que procurar um especialista significa entrar imediatamente em um tratamento complexo, caro ou cheio de medicamentos.
Não funciona assim.
A consulta de fertilidade começa pela avaliação do contexto.
Quantos anos você tem? Há quanto tempo está tentando engravidar? Seus ciclos são regulares? Já houve alguma gestação anteriormente? Existe endometriose? Alguma cirurgia pélvica? Como está o espermograma do parceiro? Há histórico de quimioterapia, radioterapia ou alterações hormonais?
Essas informações ajudam a construir uma fotografia inicial.
Em seguida, podem ser solicitados exames específicos. Somente depois disso é possível discutir se existe necessidade de tratamento e qual tratamento teria sentido naquele caso.
Quanto tempo devo tentar naturalmente antes de procurar ajuda?
Para mulheres com menos de 35 anos, ciclos regulares e sem condições conhecidas que possam prejudicar a fertilidade, recomenda-se geralmente iniciar investigação depois de 12 meses de relações sexuais regulares sem contraceptivo e sem conseguir engravidar.
Para mulheres com 35 anos ou mais, esse período costuma cair para seis meses.
Acima dos 40 anos, a avaliação pode ser recomendada imediatamente ou mesmo antes de começar as tentativas, porque a fertilidade feminina apresenta um declínio mais acentuado nessa faixa etária.
A American Society for Reproductive Medicine considera a idade feminina o principal preditor isolado da fecundidade e recomenda exatamente essa antecipação da investigação conforme a idade aumenta.
Portanto, duas mulheres tentando engravidar há oito meses podem receber orientações completamente diferentes se uma tiver 29 anos e a outra 38.
Quando não devo esperar 12 meses?
Existem diversas situações em que não é necessário aguardar um ano inteiro antes de procurar avaliação.
A investigação pode ser antecipada quando existe:
- idade igual ou superior a 35 anos;
- idade acima de 40 anos;
- ciclos menstruais muito irregulares;
- ausência de menstruação;
- endometriose conhecida ou suspeita;
- histórico de cirurgia pélvica;
- histórico de doença inflamatória pélvica;
- suspeita de alteração nas tubas uterinas;
- baixa reserva ovariana já conhecida;
- tratamento anterior com quimioterapia ou radioterapia;
- suspeita ou diagnóstico de infertilidade masculina;
- alteração importante no espermograma;
- disfunção sexual que dificulte relações regulares;
- condições genéticas associadas à fertilidade.
A ASRM recomenda investigação sem demora quando existe uma condição conhecida capaz de afetar a fertilidade.
Isso significa que uma mulher de 30 anos com ciclos muito irregulares, por exemplo, não precisa necessariamente passar 12 meses tentando antes de conversar com um especialista.
Idade é realmente tão importante para decidir quando tratar?
Sim.
A idade feminina influencia tanto a quantidade quanto a qualidade dos óvulos disponíveis.
Ao nascer, a mulher já possui a maior parte dos folículos que terá durante toda a vida. Essa reserva diminui progressivamente.
Além da quantidade, também ocorre uma redução na proporção de óvulos cromossomicamente adequados à medida que os anos avançam.
O American College of Obstetricians and Gynecologists estima que mulheres saudáveis nos 20 anos e início dos 30 apresentem aproximadamente 25% a 30% de chance de gravidez em determinado ciclo. Aos 40 anos, essa probabilidade cai para menos de 10% por ciclo.
Isso não significa que uma mulher de 40 anos não possa engravidar naturalmente.
Significa que o tempo passa a ter mais peso na tomada de decisão.
Por isso, esperar dois ou três anos sem investigar pode ter consequências diferentes aos 25 e aos 39 anos.
Menstruação irregular pode ser sinal de que preciso investigar?
Sim.
Ciclos muito irregulares podem indicar que a ovulação não está acontecendo de maneira previsível ou frequente.
Quando não existe ovulação, não existe óvulo disponível para fecundação naquele ciclo.
Condições como síndrome dos ovários policísticos, alterações da tireoide, hiperprolactinemia, mudanças importantes de peso e outros distúrbios hormonais podem interferir na ovulação.
A ASRM inclui ciclos irregulares, ciclos muito curtos, ausência de menstruação e sangramento entre menstruações entre os motivos para iniciar a investigação antes do período convencional de 12 meses.
Em alguns casos, corrigir o problema ovulatório pode ser suficiente para aumentar a chance de gravidez.
Tenho endometriose. Preciso de tratamento para engravidar?
Não necessariamente, mas a endometriose é um motivo importante para avaliação precoce.
Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente.
Em outras, a doença pode reduzir a fertilidade por diferentes mecanismos, incluindo aderências, alterações anatômicas, comprometimento das tubas, acometimento ovariano e mudanças no ambiente pélvico.
A indicação de tratamento depende da idade, sintomas, extensão da doença, reserva ovariana, tempo de tentativa e condição do parceiro.
Uma paciente com 27 anos, endometriose leve e poucos meses de tentativa pode receber uma estratégia diferente de outra com 38 anos, endometriose avançada e baixa reserva ovariana.
É justamente por isso que diagnóstico não é sinônimo automático de FIV.
Baixa reserva ovariana significa que preciso fazer FIV?
Também não necessariamente.
A reserva ovariana ajuda a estimar a quantidade de folículos disponíveis e como os ovários podem responder a uma estimulação.
Exames como hormônio anti-Mülleriano, conhecido como AMH, e contagem de folículos antrais podem participar dessa avaliação.
Mas esses exames não devem ser usados isoladamente como um “teste de fertilidade”.
A ASRM ressalta que marcadores de reserva ovariana possuem limitações para prever a chance de gravidez natural em mulheres que ainda não foram diagnosticadas com infertilidade.
O valor do AMH precisa ser interpretado junto da idade, histórico e demais achados.
Uma mulher com AMH baixo ainda pode ovular e engravidar naturalmente.
No entanto, uma reserva reduzida pode fazer com que o fator tempo ganhe maior importância no planejamento.
E se o problema estiver no homem?
Essa possibilidade deve ser avaliada desde o começo.
Infertilidade não é um problema exclusivamente feminino.
Alterações na concentração, motilidade ou morfologia dos espermatozoides podem reduzir as chances de fecundação.
Também podem existir fatores hormonais, genéticos, obstruções, varicocele, alterações ejaculatórias e efeitos de medicamentos ou hormônios.
Por isso, a avaliação do homem deve ocorrer paralelamente à da mulher sempre que houver um parceiro masculino.
O espermograma é um dos principais exames iniciais porque fornece informações sobre quantidade, movimentação e formato dos espermatozoides.
Dependendo do resultado, pode ser necessário repetir o exame ou aprofundar a investigação.
Um espermograma alterado significa que será necessário fazer FIV?
Não.
A importância da alteração depende do grau e de quais parâmetros estão comprometidos.
Alguns casos podem ser leves e permitir gravidez natural.
Outros podem ser tratados após identificar uma causa específica.
Em determinadas situações, uma inseminação intrauterina pode ser considerada.
Quando existe um fator masculino importante, a fertilização in vitro com técnicas como a injeção intracitoplasmática de espermatozoide, conhecida como ICSI, pode ser indicada.
Mas a escolha depende do caso e não apenas da existência de qualquer alteração no exame.
Quais exames ajudam a saber se preciso de tratamento?
Não existe um painel universal que toda paciente precisa realizar.
A investigação deve ser direcionada.
A ASRM recomenda que a avaliação básica examine três grandes áreas: ovulação, anatomia e permeabilidade do trato reprodutivo feminino e sêmen do parceiro quando aplicável.
Dependendo do caso, podem ser solicitados:
- ultrassonografia transvaginal;
- contagem de folículos antrais;
- hormônio anti-Mülleriano;
- FSH e outros exames hormonais;
- avaliação de tireoide e prolactina quando indicada;
- histerossalpingografia;
- histerossonografia;
- espermograma;
- exames complementares direcionados pelo histórico clínico.
O objetivo não é pedir o maior número possível de exames.
É reunir as informações que realmente podem modificar a conduta.
Como saber se estou ovulando?
Mulheres com ciclos regulares e previsíveis geralmente apresentam maior probabilidade de ovulação regular.
A ASRM considera que ciclos menstruais regulares entre aproximadamente 21 e 35 dias costumam ser compatíveis com ovulação na maioria das mulheres.
Porém, existem exceções.
Testes urinários de LH, dosagem de progesterona em determinados momentos do ciclo e acompanhamento ultrassonográfico podem ser utilizados quando existe dúvida.
Aplicativos ajudam a estimar o período fértil, mas não confirmam que a ovulação realmente aconteceu.
Será que estamos tentando nos dias errados?
Isso pode acontecer.
A janela fértil compreende aproximadamente seis dias terminando no dia da ovulação.
Segundo a ASRM, as maiores chances de concepção costumam ocorrer quando as relações acontecem nos dois dias anteriores à ovulação.
Para casais tentando naturalmente, relações a cada um ou dois dias durante o período fértil são uma estratégia adequada.
Mas quando existe uma alteração verdadeira de fertilidade, acertar perfeitamente o dia da ovulação não necessariamente resolve o problema.
Por isso, depois de um determinado período de tentativas, insistir apenas no calendário pode atrasar uma investigação importante.
Qual é a diferença entre investigação e tratamento?
A investigação procura responder: por que a gravidez ainda não aconteceu?
O tratamento procura responder: qual estratégia pode aumentar a chance de gravidez diante do que descobrimos?
Essa distinção é importante porque algumas pessoas terminam a investigação sem necessidade imediata de técnicas de reprodução assistida.
Podem receber orientação sobre período fértil, ajustes em medicamentos, tratamento de um distúrbio hormonal ou acompanhamento por determinado período.
Outras precisarão de intervenção mais ativa.
Quais são os tipos de tratamento de fertilidade?
Não existe apenas um tratamento.
As estratégias formam uma espécie de escada, e nem toda paciente precisa subir todos os degraus.
Entre as possibilidades estão:
- orientação e tentativa programada;
- tratamento de alterações hormonais;
- indução de ovulação;
- cirurgias específicas quando indicadas;
- inseminação intrauterina;
- fertilização in vitro;
- FIV associada à ICSI;
- uso de óvulos ou espermatozoides doados em situações específicas.
A escolha depende do diagnóstico e do prognóstico.
Quando a indução de ovulação pode ser indicada?
A indução de ovulação é utilizada principalmente quando existe dificuldade ou ausência de ovulação.
Medicamentos podem estimular o desenvolvimento folicular e favorecer a liberação de um óvulo.
Em algumas pacientes, a relação sexual é programada para o período fértil.
Em outras, a indução pode fazer parte de um tratamento com inseminação intrauterina.
Esse tipo de tratamento precisa de acompanhamento porque a resposta dos ovários varia de pessoa para pessoa.
Quando a inseminação intrauterina pode fazer sentido?
Na inseminação intrauterina, uma amostra de sêmen é preparada em laboratório e os espermatozoides selecionados são colocados dentro do útero próximo ao período da ovulação.
Ela pode ser considerada em determinados casos de infertilidade sem causa aparente, fatores masculinos leves, dificuldades relacionadas à relação sexual ou outros contextos.
Para que tenha boas chances, geralmente é necessário que pelo menos uma tuba esteja funcional e que o sêmen apresente condições mínimas adequadas depois do preparo.
Não é, portanto, o tratamento indicado para todos os diagnósticos.
Quando a fertilização in vitro pode ser indicada?
A fertilização in vitro pode ser indicada em diferentes situações.
Entre elas estão comprometimento importante das tubas, fator masculino grave, algumas situações de endometriose, falha de tratamentos anteriores, necessidade de técnicas específicas de laboratório e determinados cenários envolvendo idade e reserva ovariana.
Na FIV, os ovários são estimulados para desenvolver folículos, os óvulos são coletados e a fecundação acontece em laboratório.
Depois, o embrião desenvolvido pode ser transferido ao útero de acordo com a estratégia definida.
É um tratamento poderoso, mas isso não significa que seja necessário para toda pessoa com dificuldade para engravidar.
Como saber se devo pular direto para a FIV?
Essa decisão depende muito do prognóstico.
Se tratamentos mais simples possuem chance muito baixa de funcionar e fariam a paciente perder um tempo reprodutivo valioso, começar pela FIV pode ser mais racional.
Isso pode acontecer, por exemplo, em determinados casos de obstrução tubária bilateral ou fator masculino grave.
Já em situações com bom prognóstico para estratégias mais simples, começar diretamente pela FIV pode representar um tratamento mais invasivo do que o necessário.
O objetivo da medicina reprodutiva não é utilizar sempre a técnica mais complexa.
É escolher a estratégia com melhor relação entre chance, tempo, invasividade, custo e características do caso.
Tenho mais de 35 anos. Significa que vou precisar de tratamento?
Não.
Muitas mulheres engravidam naturalmente após os 35 anos.
O que muda é a velocidade com que a investigação deve ser iniciada.
A partir dessa idade, esperar 12 meses pode representar perda de tempo reprodutivo importante.
Por isso, a recomendação costuma ser avaliar depois de seis meses de tentativas.
Acima dos 40 anos, a recomendação pode ser ainda mais imediata.
O ACOG reforça que as chances de sucesso dos tratamentos também diminuem com a idade, outro motivo para evitar atrasos desnecessários na investigação.
Posso procurar uma especialista mesmo antes de começar a tentar?
Sim.
Uma consulta de planejamento reprodutivo pode fazer sentido para mulheres que pretendem adiar a maternidade, possuem histórico familiar de menopausa precoce, endometriose, cirurgias ovarianas ou simplesmente desejam entender melhor sua fertilidade.
Em 2025, o ACOG reforçou a importância do aconselhamento antecipado sobre o declínio da fertilidade relacionado à idade e destacou que avaliações de reserva ovariana podem oferecer informações úteis, embora imperfeitas, em determinados contextos.
Essa conversa também pode incluir preservação de fertilidade, como congelamento de óvulos, quando apropriado.
Já engravidei antes. Ainda posso precisar de tratamento?
Sim.
A chamada infertilidade secundária ocorre quando já houve uma gravidez anteriormente, mas existe dificuldade para uma nova gestação.
O tempo passa, a reserva ovariana diminui, novas condições podem surgir e a fertilidade do parceiro também pode mudar.
Endometriose, alterações ovulatórias, problemas tubários ou fatores masculinos podem aparecer depois da primeira gravidez.
Por isso, ter um filho anteriormente não significa que uma segunda gestação ocorrerá obrigatoriamente sem dificuldade.
Se todos os exames forem normais, não preciso de tratamento?
Também não necessariamente.
Existe a chamada infertilidade sem causa aparente.
Nesses casos, a investigação básica não encontra alterações capazes de explicar por que a gravidez não aconteceu.
A European Society of Human Reproduction and Embryology considera essa condição um diagnóstico de exclusão e possui recomendações específicas para decidir quando observar e quando utilizar tratamentos.
A decisão leva em conta idade, duração da infertilidade, histórico reprodutivo e prognóstico.
Tratamento de fertilidade garante gravidez?
Não.
Nenhum tratamento de fertilidade oferece garantia absoluta de gravidez.
As chances variam conforme idade, diagnóstico, qualidade dos gametas, reserva ovariana, técnica utilizada e diversas outras características.
Esse é um ponto importante na escolha de uma clínica ou profissional.
Promessas de resultado devem ser vistas com cautela.
Uma avaliação responsável trabalha com probabilidades realistas e ajuda o paciente a compreender benefícios, limitações e alternativas.
Devo fazer vários exames antes de procurar uma especialista?
Não é necessário.
Na verdade, chegar à consulta antes de realizar dezenas de exames pode evitar gastos desnecessários.
A especialista consegue avaliar o histórico e solicitar aquilo que realmente pode ajudar na decisão.
A própria ASRM recomenda uma investigação sistemática, rápida e custo-efetiva, priorizando inicialmente métodos menos invasivos e causas mais frequentes.
Se você já possui exames anteriores, naturalmente eles podem ser levados à consulta.
Preciso tratar imediatamente depois de receber um diagnóstico?
Nem sempre.
Alguns diagnósticos indicam necessidade de agir mais rapidamente. Outros permitem um período adicional de tentativa natural.
Uma paciente jovem com prognóstico favorável pode ter tempo para observar.
Uma mulher de 39 anos com baixa reserva ovariana pode precisar tomar decisões mais rapidamente.
Por isso, o mesmo diagnóstico pode resultar em condutas diferentes conforme a idade e o contexto.
O lado emocional também faz parte da decisão
Entrar em um tratamento de reprodução humana pode ser emocionalmente intenso.
A OMS reconhece que a infertilidade pode afetar bem-estar emocional, relacionamentos e vida financeira. Aproximadamente uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva experimentará infertilidade ao longo da vida.
Por isso, escolher começar um tratamento não envolve apenas interpretar exames.
Também importa entender expectativas, limites, possibilidades financeiras e como o processo é vivido pela pessoa ou pelo casal.
Acompanhamento psicológico pode ser útil em diferentes etapas.
Como saber se preciso de tratamento de fertilidade: um guia rápido
De forma resumida, vale procurar avaliação quando:
- você tem menos de 35 anos e tenta engravidar há 12 meses sem sucesso;
- tem 35 anos ou mais e está tentando há seis meses;
- tem mais de 40 anos e deseja engravidar;
- possui ciclos irregulares ou não menstrua;
- tem endometriose;
- já sabe que possui baixa reserva ovariana;
- possui histórico de cirurgia pélvica ou ovariana;
- existe suspeita de alteração das tubas;
- o parceiro apresenta alterações no espermograma;
- houve quimioterapia ou radioterapia;
- existe alguma condição sabidamente relacionada à infertilidade.
E lembre-se: essa avaliação não significa que você necessariamente precisará iniciar uma FIV ou qualquer outro tratamento.
O tratamento certo começa pela pergunta certa
Quando alguém pergunta “como saber se preciso de tratamento de fertilidade?”, a resposta não pode ser dada apenas olhando para um exame ou contando quantos meses se passaram.
É preciso colocar todas as peças na mesa.
Idade. Tempo de tentativa. Regularidade menstrual. Ovulação. Reserva ovariana. Tubas uterinas. Útero. Endometriose. Histórico reprodutivo. Condição do sêmen. Objetivos pessoais e familiares.
Somente depois dessa avaliação é possível decidir se o melhor caminho é continuar tentando naturalmente, corrigir uma alteração específica, induzir a ovulação, realizar inseminação intrauterina ou partir para uma técnica como fertilização in vitro.
A medicina reprodutiva não deveria começar pela técnica.
Ela começa pela investigação.
Em novembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde publicou sua primeira diretriz global para prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade, reforçando justamente uma abordagem baseada em evidências e cuidados individualizados.
Se você está tentando engravidar e não sabe se deve simplesmente continuar tentando ou começar uma investigação, uma avaliação com a Dra. Francieli Vigo pode ajudar a entender sua situação reprodutiva e organizar os próximos passos.
O objetivo da consulta não é colocar você automaticamente em um tratamento. É descobrir qual caminho realmente faz sentido para o seu momento.
Entre em contato e agende uma avaliação de fertilidade com a Dra. Francieli Vigo.
Perguntas frequentes sobre tratamento de fertilidade
Quanto tempo devo tentar engravidar antes de procurar um especialista?
Em geral, mulheres com menos de 35 anos podem procurar investigação após 12 meses de tentativas regulares. Entre 35 e 40 anos, recomenda-se avaliar após aproximadamente seis meses. Acima dos 40 anos ou na presença de fatores de risco, a avaliação pode ser imediata.
Procurar um especialista em fertilidade significa que terei que fazer FIV?
Não. A consulta começa com uma investigação. Dependendo do caso, a orientação pode ser continuar tentando naturalmente, tratar uma alteração específica, induzir a ovulação, realizar inseminação ou considerar FIV.
Como saber se tenho problema de fertilidade?
O diagnóstico depende do histórico, tempo de tentativas e exames que avaliam fatores como ovulação, reserva ovariana, útero, tubas e sêmen do parceiro. Não existe um único exame capaz de determinar sozinho a fertilidade de uma pessoa.
AMH baixo significa que preciso fazer FIV?
Não. O AMH ajuda a avaliar a reserva ovariana, mas não determina sozinho a capacidade de engravidar naturalmente nem define automaticamente a necessidade de FIV.
Tenho 35 anos. Devo procurar um especialista agora?
Se está tentando engravidar há aproximadamente seis meses sem sucesso, recomenda-se iniciar investigação. Caso exista endometriose, ciclos irregulares ou outro fator associado à infertilidade, a avaliação pode acontecer antes.
Menstruação irregular significa que vou precisar de tratamento?
Não obrigatoriamente, mas ciclos irregulares podem indicar alteração ovulatória e justificam investigação antecipada. Dependendo da causa, o tratamento pode ser relativamente simples.
Se o espermograma do meu parceiro estiver alterado, precisaremos de FIV?
Não necessariamente. Alterações leves e moderadas podem ter diferentes abordagens. A necessidade de FIV ou ICSI depende do tipo e da intensidade do fator masculino e dos demais aspectos do casal.
Tratamento de fertilidade garante gravidez?
Não. Tratamentos aumentam as chances em situações específicas, mas nenhum método oferece garantia absoluta. As probabilidades dependem principalmente da idade, diagnóstico e técnica utilizada.
“A idade feminina é o preditor mais importante da fecundidade.” American Society for Reproductive Medicine
Análise complementar, com base na internet:
A idade define quando a investigação de fertilidade deve começar
A American Society for Reproductive Medicine recomenda iniciar investigação após 12 meses de relações sexuais regulares sem contracepção em mulheres com menos de 35 anos. A partir dos 35 anos, o período cai para seis meses e, acima dos 40 anos, uma avaliação mais imediata pode ser indicada. A entidade considera a idade feminina o principal preditor isolado de fecundidade, por isso esperar o mesmo tempo em todas as faixas etárias não é recomendado.
ASRM — Fertility Evaluation of Infertile Women
Algumas condições justificam investigação sem esperar 6 ou 12 meses
A ASRM recomenda iniciar a investigação imediatamente quando existe uma condição conhecida associada à infertilidade. Entre os exemplos estão ciclos menstruais irregulares, ausência de menstruação, suspeita de doença tubária ou uterina, endometriose, fator masculino conhecido, disfunção sexual ou histórico de tratamentos como quimioterapia e radioterapia que possam comprometer a reserva ovariana.
ASRM — Indicações para investigação precoce da fertilidade
Procurar avaliação não significa que a paciente necessariamente fará FIV
O American College of Obstetricians and Gynecologists descreve a avaliação da infertilidade como um processo destinado a identificar por que uma gravidez ainda não aconteceu. Quando uma causa é encontrada, diferentes tipos de tratamento podem ser considerados. Mesmo nos casos em que a investigação não identifica uma causa específica, ainda existem possibilidades terapêuticas. Portanto, consulta de fertilidade e fertilização in vitro não são sinônimos.
A chance natural de gravidez diminui com a idade
O ACOG estima que casais saudáveis nos quais a mulher está nos 20 anos ou início dos 30 apresentam aproximadamente 25% a 30% de chance de gravidez em determinado ciclo menstrual. Aos 40 anos, essa chance cai para menos de 10% por ciclo. Esse declínio também influencia a urgência da investigação e a escolha entre continuar tentando naturalmente ou iniciar algum tratamento.
ACOG — Fertilidade e gravidez após os 35 anos
A investigação inicial precisa incluir o fator masculino
A ASRM recomenda que, quando existe um parceiro masculino, sua avaliação aconteça paralelamente à investigação feminina. O estudo básico da infertilidade deve avaliar ovulação, estrutura e permeabilidade do trato reprodutivo feminino e sêmen. Essa abordagem evita que meses sejam gastos investigando apenas a mulher quando um fator masculino também pode estar participando do quadro.
ASRM — Avaliação do casal com infertilidade
Infertilidade sem causa aparente também possui estratégias de tratamento
A European Society of Human Reproduction and Embryology considera a infertilidade sem causa aparente um diagnóstico de exclusão, utilizado depois de uma investigação básica adequada. Sua diretriz apresenta 52 recomendações relacionadas ao diagnóstico e às possibilidades terapêuticas, mostrando que a ausência de uma causa identificável não significa que o paciente não possa receber orientação ou tratamento.
ESHRE — Guideline on Unexplained Infertility
A OMS passou a ter uma diretriz global específica para tratamento da infertilidade
Em novembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde publicou sua primeira diretriz global para prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade. O documento reúne recomendações para investigação de fatores femininos e masculinos, distúrbios de ovulação, doenças tubárias, alterações uterinas, fator masculino e infertilidade sem causa aparente, reforçando a necessidade de cuidados individualizados e baseados em evidências.
Organização Mundial da Saúde — Diretriz para prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade