Dificuldade para engravidar pode transformar um projeto cheio de expectativa em uma sequência de dúvidas. No começo, é comum pensar que basta interromper o anticoncepcional, acompanhar o período fértil e aguardar. Quando os meses passam e o teste continua negativo, surgem perguntas como: será que existe algum problema? Estamos tentando nos dias certos? Quanto tempo é normal esperar? Quando devemos procurar um especialista?
A primeira informação importante é que engravidar naturalmente não acontece obrigatoriamente no primeiro ciclo de tentativas. Mesmo em casais sem alterações aparentes, a fecundação depende de uma sequência complexa de eventos: ovulação, presença de espermatozoides em quantidade e qualidade adequadas, encontro entre óvulo e espermatozoide, passagem pelas tubas uterinas e implantação do embrião no útero.
Por isso, alguns meses de tentativa podem fazer parte do processo normal. Ao mesmo tempo, esperar indefinidamente também não é uma boa estratégia, principalmente porque a idade feminina exerce influência importante sobre a fertilidade.
A Organização Mundial da Saúde define infertilidade clinicamente como a ausência de gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares e desprotegidas. Entretanto, esse prazo não precisa ser seguido de forma rígida em todas as situações. Mulheres com 35 anos ou mais, ciclos menstruais irregulares, endometriose conhecida ou outras condições associadas à fertilidade podem precisar de investigação antes.
Neste artigo, a Dra. Francieli Vigo explica as principais causas de dificuldade para engravidar, quando é indicado procurar um especialista em reprodução humana, como funciona a investigação e quais caminhos podem ser considerados depois de descobrir o que está acontecendo.
Quanto tempo é normal tentar engravidar?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes em consultório.
Em mulheres com menos de 35 anos, ciclos regulares e sem fatores conhecidos de infertilidade, recomenda-se geralmente investigar após 12 meses de relações sexuais regulares sem métodos contraceptivos.
A partir dos 35 anos, esse período costuma ser reduzido para seis meses.
De acordo com a American Society for Reproductive Medicine, mulheres com mais de 40 anos podem se beneficiar de uma avaliação ainda mais precoce, sem necessariamente aguardar seis meses de tentativas.
Isso acontece porque a idade feminina está diretamente relacionada à quantidade e, principalmente, à qualidade dos óvulos disponíveis.
O American College of Obstetricians and Gynecologists também recomenda investigação depois de seis meses de tentativas quando a mulher tem mais de 35 anos e avaliação mais imediata após os 40.
Portanto, a resposta para “quanto tempo devo esperar?” depende bastante da idade e do histórico individual.
Dificuldade para engravidar significa infertilidade?
Nem sempre.
Uma mulher que está tentando engravidar há três ou quatro meses e ainda não conseguiu pode estar dentro de um tempo considerado esperado, principalmente se for jovem, tiver ciclos regulares e não apresentar fatores de risco.
Por outro lado, algumas situações justificam investigação antes de completar um ano.
A definição clínica de infertilidade é útil para orientar estudos e condutas, mas não significa que todas as pessoas devam obrigatoriamente esperar 12 meses antes de procurar ajuda.
Se existe uma condição previamente conhecida que pode afetar a fertilidade, a avaliação deve ser antecipada.
Quando não é necessário esperar 12 meses?
A investigação pode começar antes quando existem sinais ou diagnósticos que aumentam a chance de dificuldade reprodutiva.
Entre eles estão:
- ciclos menstruais muito irregulares;
- ausência de menstruação;
- histórico de endometriose;
- cirurgias pélvicas anteriores;
- suspeita de alterações nas tubas;
- tratamentos prévios com quimioterapia ou radioterapia;
- baixa reserva ovariana conhecida;
- suspeita de infertilidade masculina;
- alterações importantes no espermograma;
- disfunções sexuais;
- idade materna acima de 35 ou 40 anos, conforme o caso.
A ASRM recomenda que a investigação seja iniciada sem demora quando já existe uma condição médica sabidamente associada à infertilidade.
Por que a idade influencia tanto na fertilidade feminina?
A mulher nasce com uma quantidade finita de óvulos.
Ao longo dos anos, essa reserva diminui naturalmente. Mais importante ainda, a qualidade genética dos óvulos também sofre alterações com o envelhecimento.
Isso faz com que a chance de gravidez por ciclo diminua progressivamente.
O ACOG informa que, entre casais saudáveis em que a mulher está na faixa dos 20 anos ou início dos 30, aproximadamente uma em cada quatro pode engravidar em determinado ciclo menstrual. Por volta dos 40 anos, essa chance é muito menor e pode ficar próxima de uma em cada dez por ciclo.
Além da queda na probabilidade de gravidez, aumenta a frequência de alterações cromossômicas nos óvulos e o risco de perda gestacional.
Isso explica por que idade não deve ser tratada apenas como um número na investigação de fertilidade.
Quais são as principais causas de dificuldade para engravidar?
A infertilidade pode estar relacionada a fatores femininos, masculinos, à combinação dos dois ou permanecer sem uma causa evidente mesmo após investigação adequada.
A Organização Mundial da Saúde destaca que alterações nas tubas uterinas, problemas de ovulação, endometriose, alterações uterinas e fatores masculinos podem estar envolvidos.
Por isso, investigar apenas a mulher é um erro.
Quando existe um casal heterossexual tentando engravidar, os dois parceiros devem participar da avaliação desde o início sempre que possível.
Problemas de ovulação podem dificultar a gravidez?
Sim.
Para que uma gravidez natural aconteça, é necessário que exista ovulação.
Mulheres com ciclos menstruais previsíveis, geralmente entre aproximadamente 21 e 35 dias, têm maior probabilidade de estar ovulando regularmente.
Quando os ciclos são muito espaçados, muito variáveis ou inexistentes, pode existir uma alteração ovulatória.
Uma das condições mais associadas a esse problema é a síndrome dos ovários policísticos.
Distúrbios de tireoide, alterações da prolactina, perda ou ganho importante de peso, exercícios físicos excessivos e outras condições também podem interferir na ovulação.
Dependendo do quadro, exames hormonais e ultrassonografia podem fazer parte da avaliação.
Endometriose pode causar dificuldade para engravidar?
Sim.
A endometriose é uma condição em que tecido semelhante ao endométrio se desenvolve fora do interior do útero.
Ela pode provocar dor pélvica, cólicas menstruais intensas, dor durante relações sexuais e, em algumas pacientes, infertilidade.
A relação com a fertilidade é complexa.
Dependendo da extensão e localização da doença, podem ocorrer alterações anatômicas, aderências, comprometimento das tubas e mudanças no ambiente pélvico.
Nem toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar, mas o diagnóstico deve ser considerado no planejamento reprodutivo.
As tubas uterinas podem impedir uma gravidez?
Sim.
As tubas uterinas exercem um papel central na reprodução natural.
Depois da ovulação, o óvulo é captado pela tuba. É geralmente nessa região que acontece o encontro com o espermatozoide.
Se as tubas estão obstruídas ou gravemente comprometidas, o encontro pode não ocorrer.
Infecções pélvicas anteriores, algumas infecções sexualmente transmissíveis, cirurgias e endometriose podem estar relacionadas a alterações tubárias.
Por isso, a avaliação da permeabilidade das tubas pode ser indicada durante a investigação.
Exames como a histerossalpingografia e a histerossonografia podem ser utilizados conforme o contexto clínico.
Miomas podem causar infertilidade?
Alguns podem.
Mioma é um tumor benigno muito comum do útero.
O impacto sobre a fertilidade depende principalmente de tamanho, número e localização.
Miomas que deformam a cavidade uterina tendem a ter mais relevância para a fertilidade do que pequenos miomas localizados longe do endométrio.
Isso significa que simplesmente encontrar um mioma em uma ultrassonografia não permite concluir que ele seja a causa da dificuldade para engravidar.
A interpretação precisa ser individual.
Baixa reserva ovariana significa que não é possível engravidar?
Não necessariamente.
A reserva ovariana representa, de forma simplificada, a quantidade estimada de folículos e óvulos restantes nos ovários.
Exames como hormônio anti-Mülleriano, contagem de folículos antrais e, em algumas situações, FSH podem ser utilizados na avaliação.
Entretanto, nenhum desses exames funciona como um teste perfeito capaz de prever sozinho se uma mulher conseguirá ou não engravidar naturalmente.
O próprio CDC ressalta que não existe um único marcador perfeito de fertilidade.
Uma mulher pode apresentar reserva ovariana reduzida e ainda ovular regularmente.
O resultado ganha significado quando analisado junto da idade, histórico reprodutivo e demais achados.
A dificuldade para engravidar também pode estar no homem?
Sim, e esse ponto merece bastante atenção.
A infertilidade não é uma condição exclusivamente feminina.
Alterações na produção, concentração, motilidade ou morfologia dos espermatozoides podem reduzir as chances de fecundação.
Também podem existir alterações hormonais, genéticas, varicocele, obstruções, problemas ejaculatórios e outras condições.
Por isso, o espermograma costuma fazer parte da investigação inicial do casal.
De acordo com o CDC, a avaliação masculina inclui histórico clínico, exame físico quando indicado e análise seminal, que observa principalmente concentração, movimentação e formato dos espermatozoides.
Testosterona pode interferir na fertilidade masculina?
Sim.
Um ponto que muitas pessoas desconhecem é que o uso de testosterona externa pode reduzir ou até suprimir a produção de espermatozoides.
Homens que utilizam testosterona, anabolizantes ou outras substâncias hormonais precisam informar isso durante a investigação de fertilidade.
O desejo de ter filhos deve fazer parte da decisão antes de iniciar determinados tratamentos hormonais.
Estresse impede a gravidez?
Não é correto afirmar que uma pessoa não engravida simplesmente porque está ansiosa.
Esse tipo de frase pode gerar culpa e minimizar condições médicas reais.
O estresse intenso pode afetar sono, desejo sexual, frequência das relações e, em situações específicas, o próprio ciclo menstrual.
Além disso, a dificuldade para engravidar pode ser uma grande fonte de estresse emocional por si só.
Mas dizer “relaxe que você engravida” não substitui uma investigação adequada.
Peso corporal pode influenciar a fertilidade?
Pode.
Tanto baixo peso quanto excesso de peso podem estar associados a alterações hormonais e ovulatórias em algumas pessoas.
O CDC também aponta obesidade, perda ou ganho extremo de peso e outros fatores relacionados ao estilo de vida entre elementos associados a alterações de fertilidade.
Isso não significa que todo problema reprodutivo possa ser resolvido apenas com emagrecimento ou mudança alimentar.
A abordagem deve ser individualizada e evitar transformar o peso em explicação automática para infertilidade.
Tabagismo e álcool podem interferir?
Sim.
O tabagismo está associado a efeitos negativos sobre a fertilidade feminina e masculina.
O consumo excessivo de álcool também pode interferir na saúde reprodutiva.
A OMS inclui tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade entre fatores relacionados a maior chance de infertilidade em homens e mulheres.
Por isso, hábitos de vida fazem parte da avaliação, mas nunca devem ser analisados isoladamente.
Estamos tentando no período certo?
O momento das relações sexuais influencia naturalmente a chance de gravidez.
O período fértil corresponde aos dias próximos à ovulação.
O ACOG orienta que relações a cada um ou dois dias durante essa janela podem maximizar a probabilidade de fecundação.
Aplicativos de celular podem ajudar na organização, mas não são perfeitos.
Especialmente em ciclos irregulares, prever a ovulação apenas pelo aplicativo pode ser difícil.
Testes urinários de ovulação e acompanhamento médico podem ser utilizados em situações específicas.
Quais exames são feitos quando existe dificuldade para engravidar?
Não existe uma lista idêntica para todas as pacientes.
A investigação começa com uma conversa detalhada sobre idade, ciclo menstrual, histórico de gestações, cirurgias, doenças prévias, medicamentos, sintomas e tempo de tentativa.
Depois, exames são selecionados conforme o caso.
A ASRM orienta que a avaliação inicial considere três grandes pontos: ovulação, estrutura e permeabilidade do sistema reprodutivo feminino e avaliação do sêmen do parceiro quando aplicável.
Entre os exames que podem fazer parte da investigação estão ultrassonografia transvaginal, dosagens hormonais, avaliação da reserva ovariana, exames para verificar a permeabilidade tubária e espermograma.
Nem toda pessoa precisa realizar todos os exames disponíveis.
Investigar de maneira excessiva também pode gerar custos e resultados difíceis de interpretar.
O AMH diz se uma mulher consegue engravidar?
Não sozinho.
O hormônio anti-Mülleriano, conhecido como AMH, é utilizado principalmente como marcador de reserva ovariana.
Ele pode ajudar a estimar como os ovários podem responder a determinados tratamentos de reprodução assistida.
Porém, AMH baixo não significa automaticamente impossibilidade de gravidez natural.
Da mesma forma, um AMH alto não garante fertilidade.
O exame precisa ser interpretado em contexto, principalmente junto da idade.
O espermograma alterado significa infertilidade definitiva?
Não necessariamente.
O espermograma avalia diferentes características do sêmen, mas um resultado alterado pode precisar ser confirmado e interpretado por um especialista.
Algumas alterações podem ser temporárias.
Febre recente, determinadas doenças, uso de medicamentos e outros fatores podem afetar a produção dos espermatozoides.
Por isso, o diagnóstico masculino não deve se basear apenas em um número isolado.
E quando todos os exames parecem normais?
Isso pode acontecer.
Quando a investigação básica não identifica uma causa evidente para a ausência de gravidez, pode-se utilizar o termo infertilidade sem causa aparente ou infertilidade inexplicada.
A European Society of Human Reproduction and Embryology ressalta que esse diagnóstico é feito por exclusão, depois de uma investigação adequada.
Não significa que “não existe problema”.
Significa que os exames disponíveis não conseguiram identificar uma causa específica capaz de explicar a dificuldade.
Mesmo nesses casos, podem existir estratégias de tratamento.
Qual é o tratamento para dificuldade para engravidar?
O tratamento depende da causa.
Algumas pacientes podem precisar apenas de orientação sobre período fértil ou correção de fatores que estejam interferindo na ovulação.
Em outros casos, podem ser utilizados medicamentos para indução ou estímulo da ovulação.
Alterações anatômicas específicas podem exigir tratamento cirúrgico.
Quando existe comprometimento importante das tubas, fator masculino significativo, baixa reserva ovariana ou outros cenários, técnicas de reprodução assistida podem ser consideradas.
Entre elas estão a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro.
Dificuldade para engravidar significa que será necessário fazer fertilização in vitro?
Não.
Fertilização in vitro é uma das ferramentas disponíveis dentro da reprodução humana, mas não é automaticamente o primeiro tratamento para todos os casos.
A decisão depende da idade da mulher, tempo de infertilidade, reserva ovariana, condição das tubas, espermograma, diagnóstico encontrado e histórico do casal.
Algumas situações realmente apresentam melhores chances com FIV.
Outras podem ser conduzidas inicialmente por abordagens mais simples.
A avaliação existe justamente para evitar tanto tratamentos insuficientes quanto procedimentos desnecessários.
O que é fertilização in vitro?
Na fertilização in vitro, os ovários são estimulados para desenvolver múltiplos folículos.
Depois, os óvulos são coletados e colocados em contato com espermatozoides em laboratório.
Após a fecundação e desenvolvimento embrionário, um embrião pode ser transferido para o útero conforme o planejamento individual.
Existem diferentes protocolos e técnicas laboratoriais.
A indicação e as chances de sucesso variam muito de paciente para paciente.
Existe uma idade limite para buscar ajuda?
Não existe um único número capaz de representar todos os casos.
Porém, como a fertilidade feminina diminui com a idade, adiar a investigação pode limitar opções futuras.
A ASRM considera a idade feminina o principal preditor isolado de fecundidade.
Isso não significa que mulheres mais velhas não possam engravidar.
Significa que tempo passa a ser uma variável ainda mais relevante na tomada de decisão.
Ter engravidado antes significa que não posso ter infertilidade?
Não.
Existe a chamada infertilidade secundária.
Ela acontece quando uma pessoa que já teve uma gravidez anteriormente passa a encontrar dificuldade para engravidar novamente.
Idade, novas doenças, cirurgias, alterações ovulatórias, endometriose ou fatores masculinos podem surgir depois da primeira gestação.
Por isso, ter um filho anteriormente não elimina a possibilidade de uma investigação futura.
Aborto espontâneo repetido é a mesma coisa que infertilidade?
Não exatamente.
Infertilidade diz respeito principalmente à dificuldade de alcançar uma gravidez.
Perdas gestacionais recorrentes envolvem a dificuldade de manter determinadas gestações e possuem uma investigação própria.
Algumas condições podem participar dos dois problemas, mas os protocolos de avaliação não são idênticos.
Devo procurar um especialista em reprodução humana?
Uma avaliação especializada pode ser especialmente importante quando o tempo recomendado de tentativas já foi ultrapassado ou quando existem fatores de risco.
O objetivo não é encaminhar todas as pessoas diretamente para procedimentos complexos.
O primeiro passo é entender por que a gravidez ainda não aconteceu.
Uma consulta de reprodução humana costuma reunir história clínica, avaliação dos dois parceiros quando aplicável, exames previamente realizados e planejamento dos próximos passos.
O impacto emocional da dificuldade para engravidar também importa
Infertilidade não é apenas um diagnóstico biológico.
A OMS reconhece que a dificuldade para ter filhos pode causar sofrimento emocional, estigma e impacto financeiro.
Mês após mês, o ciclo de expectativa, teste negativo e recomeço pode ser desgastante.
Comparações com amigos e familiares, perguntas sobre quando o casal terá filhos e anúncios de gravidez podem aumentar o sofrimento.
Esse aspecto deve ser levado a sério.
Acolhimento psicológico pode fazer parte do cuidado quando necessário, especialmente durante tratamentos mais longos.
Dificuldade para engravidar não deve ser motivo de culpa
É comum que pacientes tentem identificar algo que “fizeram errado”.
Mas fertilidade depende de múltiplos fatores.
Nem sempre é possível prevenir uma redução da reserva ovariana, uma alteração tubária, endometriose ou determinados fatores masculinos.
A investigação deve substituir a culpa por informação.
Quando existe uma causa, saber o que está acontecendo ajuda a escolher o melhor caminho.
E quando nenhuma causa é identificada, ainda existem estratégias baseadas em evidências para orientar o tratamento.
Dificuldade para engravidar: quando procurar a Dra. Francieli Vigo?
Se você tem menos de 35 anos, mantém relações sexuais regulares sem contraceptivos e não conseguiu engravidar depois de 12 meses, uma investigação da fertilidade é indicada.
Se tem 35 anos ou mais, o período recomendado costuma cair para aproximadamente seis meses.
Acima dos 40 anos, ou na presença de endometriose, ciclos irregulares, ausência de menstruação, cirurgias pélvicas prévias, baixa reserva ovariana conhecida ou suspeita de fator masculino, procurar avaliação antes pode ser importante.
Também não é necessário esperar completar esses prazos caso exista uma preocupação específica.
A medicina reprodutiva não serve apenas para indicar fertilização in vitro. Ela começa pela investigação.
Descobrir a causa é o primeiro passo
A frase “não consigo engravidar” pode esconder situações muito diferentes.
Para uma pessoa, pode existir uma alteração na ovulação. Para outra, endometriose. Em outro casal, o espermograma pode ser o principal fator. Também existem casos em que mais de uma alteração está presente.
E existem situações em que a investigação inicial não encontra uma explicação evidente.
É por isso que tratamentos padronizados nem sempre fazem sentido.
A fertilidade precisa ser analisada considerando idade, tempo de tentativa, histórico, reserva ovariana, ovulação, útero, tubas e fator masculino.
Quanto mais cedo essa fotografia é construída nos casos que precisam de avaliação, maior é a possibilidade de tomar decisões conscientes sobre os próximos passos.
Se você está enfrentando dificuldade para engravidar, a Dra. Francieli Vigo, especialista em fertilidade e reprodução humana, pode realizar uma avaliação individualizada para investigar possíveis causas e discutir quais caminhos fazem sentido para o seu caso.
Entre em contato e agende uma avaliação de fertilidade.
Perguntas frequentes sobre dificuldade para engravidar
Quanto tempo tentando engravidar é considerado normal?
Em geral, mulheres com menos de 35 anos e sem fatores de risco podem tentar por até 12 meses antes da investigação. A partir dos 35 anos, recomenda-se procurar avaliação após aproximadamente seis meses. Acima dos 40 anos ou quando existem condições associadas à infertilidade, a investigação pode ser realizada antes.
Quais são os primeiros exames para quem não consegue engravidar?
A investigação varia conforme o caso, mas pode incluir avaliação da ovulação, ultrassonografia, exames hormonais, reserva ovariana, permeabilidade das tubas e espermograma do parceiro quando aplicável.
Menstruação regular significa que sou fértil?
Ciclos regulares sugerem maior probabilidade de ovulação, mas não garantem fertilidade. Outros fatores, como idade, tubas uterinas, útero e qualidade do sêmen, também participam do processo.
AMH baixo significa que não vou conseguir engravidar?
Não. O hormônio anti-Mülleriano ajuda a avaliar a reserva ovariana, mas não determina sozinho a capacidade de gravidez natural. O resultado deve ser interpretado juntamente com idade e outros fatores.
Endometriose sempre causa infertilidade?
Não. Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente. Porém, a doença pode reduzir a fertilidade em alguns casos, principalmente quando existem alterações anatômicas ou comprometimento das tubas e ovários.
O homem também precisa fazer exames?
Sim. Quando existe um parceiro masculino, sua avaliação deve acontecer paralelamente à feminina sempre que possível. O espermograma é um dos principais exames iniciais.
Dificuldade para engravidar significa que vou precisar de FIV?
Não. O tratamento depende da causa identificada, idade, tempo de tentativa e outros fatores. Alguns casos podem ser conduzidos com orientações, medicamentos, inseminação ou outras estratégias antes de considerar fertilização in vitro.
Já tenho um filho. Ainda posso ter infertilidade?
Sim. A infertilidade secundária ocorre quando existe dificuldade para uma nova gravidez mesmo depois de uma gestação anterior.
“Uma em cada seis pessoas é afetada pela infertilidade em algum momento da vida.” Organização Mundial da Saúde
Análise complementar, com base na internet:
A infertilidade afeta aproximadamente uma em cada seis pessoas
A Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente uma em cada seis pessoas terá infertilidade ao longo da vida. A entidade define infertilidade clinicamente como a ausência de gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares e desprotegidas. O dado demonstra que a dificuldade para engravidar é uma questão frequente de saúde reprodutiva e não uma situação rara.
Organização Mundial da Saúde — Infertilidade
A idade modifica o momento em que a investigação deve começar
A American Society for Reproductive Medicine recomenda iniciar a investigação após 12 meses em mulheres com menos de 35 anos e após seis meses em mulheres a partir dos 35 anos, quando não existem outros fatores de risco. Para mulheres acima de 40 anos, uma avaliação ainda mais rápida pode ser apropriada. A idade feminina também é considerada um dos fatores mais importantes na previsão da fecundidade.
ASRM — Fertility Evaluation of Infertile Women
A investigação deve avaliar ovulação, tubas, útero e fator masculino
A ASRM orienta que a avaliação inicial seja sistemática e considere o estado ovulatório, a estrutura e permeabilidade do trato reprodutivo feminino e a análise do sêmen do parceiro quando aplicável. Isso reforça que investigar apenas a mulher é inadequado, já que fatores masculinos também podem participar da dificuldade para engravidar.
ASRM — Avaliação inicial da infertilidade
Fertilidade feminina diminui progressivamente com a idade
O American College of Obstetricians and Gynecologists explica que mulheres saudáveis na faixa dos 20 anos e início dos 30 apresentam aproximadamente uma chance em quatro de engravidar em determinado ciclo menstrual. Aos 40 anos, essa probabilidade cai significativamente. A idade também está relacionada à redução da quantidade e qualidade dos óvulos.
ACOG — Fertilidade e gravidez após os 35 anos
O espermograma faz parte da investigação de infertilidade masculina
O CDC destaca que a infertilidade masculina pode estar relacionada a alterações testiculares, ejaculatórias, hormonais ou genéticas. A avaliação costuma incluir histórico clínico, exame físico quando indicado e análise seminal. O espermograma observa características como concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides.
CDC — Infertility Frequently Asked Questions
Nem sempre é possível identificar uma causa para a infertilidade
A European Society of Human Reproduction and Embryology possui uma diretriz específica para infertilidade sem causa aparente. O diagnóstico é realizado por exclusão depois de uma investigação básica adequada. A ausência de uma causa identificável não significa ausência de opções de tratamento, mas exige cuidado para evitar exames ou terapias sem evidência suficiente.
ESHRE — Guideline on Unexplained Infertility
A OMS publicou sua primeira diretriz global para infertilidade em 2025
Em novembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde publicou sua primeira diretriz global dedicada à prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade. O documento inclui 40 recomendações e defende cuidados centrados nas pessoas, baseados em evidências e acessíveis, além de destacar a importância de informar a população sobre idade e outros fatores relacionados à fertilidade.
Organização Mundial da Saúde — Primeira diretriz global sobre infertilidade